Por Thiago Gardin e Yago RodriguesC-_Users_Notebook_Documents_Posição-ou-articulação2.jpg

A semana foi marcada pela relação independentes e desarmônica entre os poderes da União. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou “Eu restabeleci minha posição original de presidente da Câmara, que é pautar. Vou continuar mostrando o que vai acontecer com o Brasil caso essa reforma não seja aprovada”. A postura de Maia é admitir que a responsabilidade pela reforma é do poder executivo e a do legislativo seria então somente de profetizar.

Isso é pura retórica! Pensem na retórica da falta de articulação como um jogo! Logo perceberão que não existe saída para o governo, pois os deputados nunca perdem.

Durante o governo FHC vivemos um governo de coalizão baseado na abertura do governo aos partidos para formação de base parlamentar. Nos governos Lula tivemos uma governo de cooptação que criou uma grande base amorfa, sem princípios nem opinião, e escrava de benefícios da corrupção. No Governo Lula vimos a queda desse castelo de cartas da cooptação política.

Hoje temos um legislativo viciado em incentivos que não percebe seu papel no equilíbrio democrático. Quando assumimos que a mera falta articulação sem um mínimo esforço de pensar o que isto significa entregamos um discurso perfeito para que o poder legislativo e seus membros não tomem nenhum partido, assim, sem se indispor, colocaram toda a culpa no governo.

O Presidente da república enfatizou desde o período eleitoral a posição de respeitar a autonomia do congresso sob a jargão “reforma boa é a que o congresso aprove”, aceitando sua prerrogativa de propor a proposta base e a do congresso deliberar e votar a proposta. O governo atual não tem capacidade para aceitar a chantagem “articulação”, caso aceite, perderá seus principais projetos de campanha e apoio popular.

Nos últimos dois dias vários analistas políticos estão afirmando que há falta de articulação do governo com a câmara, mas esse “fato” é apenas a falta de agenda do próprio congresso em organizar seu próprio debate em torno de ideias, carente da cooptação subserviente ao executivo.

Parece um erro testar o governo com a pauta da previdência. O que realmente está em teste é a capacidade do congresso em propor, articular e aprovar medidas eficazes para o país. Articulação entre o executivo e o legislativo somente ocorre quando se tenha alguma posição para propor para que possamos chegar a um consenso. O Congresso está letárgico, anárquico e viciado em incentivos.

A única saída é mudar o discurso e cobrar dos deputados posição! O governo já passou o debate da reforma da previdência para o congresso, e como resposta obteve apenas um cheque de pura retórica irresponsável do presidente da câmara.

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