Por Pedro Saad

Costumeiramente, as pessoas entendem os movimentos Conservadores como ações políti​​cas protagonizadas por pessoas intolerantes. E no Brasil, muitas vezes tem sido isso mesmo: sob o pretexto – equivocado – de se dizer conservador, as pautas relativas a minorias não apenas são negligenciadas como demonizadas.

picture-41715

Acontece que não faz sentido se dizer conservador para conservar o que já deixou de existir. Nem se assemelha essa postura ao que temos no mundo: uma postura prudencial para a promoção das mudanças necessárias à sociedade. A pauta LGBTT está na agenda conservadora. No Brasil, aqueles que se identificam, porém, com o Partido Conservador britânico e com o Partido Republicano dos EUA se mostram em larga medida refratários à causa. Esse comportamento, como demonstraremos, está na contramão das práticas desses partidos.

Mesmo a Margaret Thatcher votou a favor da descriminalização da homossexualidade no Reino Unido. O atual primeiro-ministro, conservador, David Cameron suspendeu ajuda financeira britânica a países que desrespeitassem direitos dos homossexuais. Não apenas: pressionou o parlamento britânico pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O Partido Conservador britânico possui uma ala LGBTT, o LGBTory. Duvida? Não acredita? Olha o bafo aqui, miga: http://www.lgbtory.co.uk . Eles promovem candidaturas de candidatos LGBTT, promovem o debate público e as posições dos homossexuais identificados com o conservadorismo.

E do outro lado do Atlântico?

O Partido Republicano, de fato, é espaço para populistas fiscais como Rand Paul e intolerantes como Donald Trump. Entretanto, as alas mais moderadas e razoáveis do partido dão espaço para minorias sociais e suas pautas. Os Log Cabin Republicans (http://www.logcabin.org) promovem a pauta LGBTT no partido. Ainda no campo da defesa de minorias, a causa negra – bandeira central do partido desde Abraham Lincoln – tem espaço com a Associação Nacional dos Negros Republicanos (http://www.nationalblackrepublicans.com). O primeiro governador negro da história dos Estados Unidos era republicano: Oscar Dunn governou a Louisiana após a Guerra de Secessão.

Em resumo, o conservadorismo – postura política controversa, mas razoável – não pode ser utilizada como justificativa ou pretexto para que as causas de minorias não sejam promovidas ou até mesmo discutidas. O fundamentalismo e a intolerância não podem se esconder por trás de uma ideologia que tem por norte a prudência. Nem podem os conservadores brasileiros se basearem em mitologias e caricaturas do conservadorismo: conservadores nos EUA e Reino Unido buscam a evolução gradual da sociedade, não a conservação do status que da década de 1950.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s